Para evitar o pior, evangélicos dos EUA continuam com Trump apesar de escândalo

Trump Evangelicals

Na contra-mão até da atitude de representantes do próprio Partido Republicano dos EUA, alguns líderes evangélicos conservadores norte-americanos permanecem apoiando Donald Trump para presidente, mesmo depois da divulgação dos áudios em que o agora candidato faz comentários lascivos, conta que tentou ter um caso com uma mulher casada e ainda disse que celebridades poderiam, na concepção dele, fazer o que bem quisessem com as mulheres.

Diante da gravidade do caso, porque sugere uma confissão de ação não permitida contra mulheres, o que alguns chegam a chamar de uma forma de estupro, republicanos condenaram as declarações e alguns estão pedindo que ele desista de sua candidatura.

As fitas gravadas foram divulgadas na sexta-feira (9/10) pelo jornal Washington Post.

Dentre os cristãos que permanecem com Trump, estão:

Tony Perkins, presidente do Conselho de Pesquisa da Família, que disse que os cristãos "têm uma escolha de votação a fazer pela pessoa que vai fazer o menor dano às nossas liberdades. Isso está longe de uma situação ideal, mas é a realidade em que nos encontramos e, tão difícil como é, eu me recuso a encontrar refúgio à margem e permitir que o país e cultura a deteriorar-se ainda mais, continuando as políticas do última 8 anos", disse Perkins.

Ralph Reed, fundador e presidente da Coligação Fé e Liberdade, disse em um comunicado que o que Trump disse é "ofensivo e inapropriadao, que a Bíblia ensina que devemos tratar as mulheres mais velhas como mães e mulheres mais jovens como irmãs, com toda a pureza".

No entanto, Reed também ressaltou que "as pessoas de fé estão votando em 2016 sobre questões críticas, tais como":

Quem vai proteger o nascituro (contra o aborto);
Quem defende a liberdade religiosa;
Nomeação de juízes conservadores;
Fazer crescer a economia;
Estar ao lado de Israel;
E se opor ao acordo nuclear com o Irã, que Hillary Clinton ajudou a negociar.

E ele conclui: "Dadas as apostas sobre a eleição e as questões críticas que confrontam a nossa nação, uma fita de áudio de uma conversa privada de onze anos de idade (foi gravada em 2005) com um apresentador de talk show, não deve ser classificada de forma elevada na hierarquia das preocupações do eleitor de fé".

Gary Bauer, um ativista evangélico conservador afiliado a organização de defesa dos valores americanos e que faz campanha pelas famílias trabalhadoras, enfatizou que Trump fez os comentários anos atrás.

Bauer afirmou: "A velha fita de uma conversa privada de dez anos em que Donald Trump usa uma linguagem grosseiramente inadequada não muda a realidade da escolha diante deste país. Hillary Clinton está comprometida com políticas contrárias à liberdade religiosa, promoção do aborto, fazendo nosso país menos seguro, e deixar as nossas fronteiras desprotegidas. Eu continuo a apoiar Trump-Pence".

Para o evangelista Franklin Graham, os comentários grosseiros feitos por Donald J. Trump são indefensáveis, "mas a agenda sem Deus de Barack Obama e Hillary Clinton também não pode ser defendida". Ele afirma não estar endossando quaisquer dos candidatos nesta eleição, no entanto, ele conclama, "como cristãos, não podemos recuar de nossa responsabilidade de permanecer engajado na política de nossa nação. Em 08 de novembro teremos todos uma escolha a fazer. Os dois candidatos têm visões muito diferentes para o futuro dos Estados Unidos. A questão mais importante desta eleição é o Supremo Tribunal. Que impacta tudo. Não há dúvida, quem nomear para a Suprema Corte irá refazer o tecido da nossa sociedade para os nossos filhos e os nossos netos, para as gerações vindouras".

Segundo pesquisas recentes, entre 75 e 80% dos evangélicos votam em Trump, a maioria deles dizendo que o motivo principal deste voto é não gostarem de Hillary Clinton.

Fontes: ABC News e Washington Post

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